O megaesôfago é uma doença de alta prevalência no Brasil, cuja fisiopatologia caracteriza-se pela não coordenação motora causada pela destruição dos plexos nervosos do órgão, levando a contrações ineficientes (desperistalse) e não relaxamento do esfincter esofágico inferior (EEI) - acalàsia. O megaesôfago tem como principal etiologia, em nosso meio, a doença de Chagas sendo, ao lado do megacólon, as principais manifestações digestivas da enfermidade. Menos freqüentes sao os casos de acalásia idiopàtica, causa comum em outros países.
DIAGNÓSTICO
A história clínica mostra sintomas de longa duração, sendo três principais: disfagia, regurgitação e perda de peso. A disfagia, geralmente, élentamente progressiva, com períodos de acalmia, que pode ser aliviada por movimentos repetidos de deglutição e ingestão de líquidos, aumentando, desse modo, a pressão ao nível do esôfago distal e impelindo o alimento contra o esfíncter acalásico, na tentativa de vencer a sua resistência. A regurgitação, principalmente noturna, é facilitada pelo decúbito, propiciando encontro de restos alimentares no travesseiro pela manhã. A perda ponderal tem como causa a dificuldade na alimentação. Outros sintomas são incapacidade de eructar, pirose, dor torácica e sialorréia. Podese encontrar sinais e sintomas decorrentes de outras manifestações da doença de Chagas (principalmente cardiopatia e megacólon) e nos antecedentes deve-se interrogar sobre a procedência de zonas endêmicas da doença de Chagas.
Ao exame físico surpreende-se, às vezes, aumento das glândulas parótidas (pela intensificação do reflexo esôfago-salivar), desnutrição e manifestações da cardiopatia e do megacólon.
O diagnóstico do megaesôfago é firmado pelos exames radiológico, endoscópico e eletromanométrico.
A radiografia simples pode mostrar ausência de bolha gástrica e, nos casos avançados, imagem de alargamento mediastinal à direita. O exame radiológico contrastado mostra retardo de esvaziamento esofágico, dilatação e imagem afilada do contraste no esôfago distal (semelhante a um rabo de rato), dificuldade de progressão do contraste para estômago. Este exame também classifica o megaesôfago em graus (segundo Rezende), baseando-se no calibre do esôfago, no retardo de esvaziamento e no desvio no eixo do órgão. São considerados casos avançados aqueles cujo esôfago tem diâmetro maior que 10 centímetros, com retardo importante do esvaziamento e/ou com perda do eixo do órgão.
A endoscopia é imperiosa, pois auxilia no diagnóstico diferencial de outras doenças causadoras de disfagia, além de permitir avaliação da mucosa esofágica e detecção de lesões pré-neoplásicas ou mesmo de neoplasias, devido ao maior risco de carcinoma de esôfago nos portadores de megaesôfago. É importante mencionar que há fácil progressão do endoscópio pela cárdia, ao contrário de afecções estenosantes do esôfago.
A manometria possibilita avaliação funcional do esôfago, e no megaesôfago demonstra desperistalse e acalásia, contudo, devido ao custo do equipamento e necessidade de pessoal especializado não é disponível em todos os centros.
Outros exames menos utilizados são a cinesofagografia e o esvaziamento esofágico com radioisótopos.
No diagnóstico etiológico da doença de Chagas há o teste sorológico de fixação de complemento de Machado e Guerreiro.
TRATAMENTO
Como medida higieno-dietética recomenda-se evitar alimentos de difícil propulsão (alimentos secos, farináceos, carne) que ficam facilmente retidos ao nível do esôfago distal.
Até os dias atuais não há tratamento medicamentoso eficaz. O tratamento definitivo é assunto controverso e as opções são dilatação endoscópica e cirurgia, porém, deve-se ressaltar que a terapêutica visa somente permitir livre passagem do alimento ao estômago, nunca recuperando a motilidade normal do esôfago.
A dilatação do esôfago é realizada com insuflação súbita de balão, pneumo ou hidrostático. locado no EEI, na tentativa de lacerar as fibras musculares acalásicas sendo, por vezes, necessárias várias sessões. Alguns autores encontraram em casos de graus iniciais resultados semelhantes à cirurgia com esse procedimento.
O tratamento cirúrgico proposto para casos não avançados consiste na secção de fibras musculares da junção esofagogástrica (esofacardiomiotomia ou operação de Heller). Por seccionar as fibras circulares do EEI. elimina a acalásía. que é obstáculo à descida do alimento ao estômago. É uma cirurgia conservadora, de baixa morbimortalidade, que pode ser executada por toracotomia ou mais habitualmente, laparotomia, sendo atualmente realizada também por via videolaparoscópica. Alguns cirurgiões praticam a esofacardiomiotomia isolada; outros, em virtude da possibilidade de ocorrência de refluxo gastroesofàgico pós-operatório, associam fundoplicatura ao procedimento inicial. Em casos avançados, devido a resultados não animadores com a cirurgia conservadora (esofagocardiomiotomia), propõem-se a realização de ressecção subtotal do órgão com anastomose esôfagogástrica a nível cervical (esofagectomia subtotal). Outras opções são as cirurgias que promovem a destruição da junção esôfagogástriea (operação de Thal-Hatafuku e Holt-Large) ou, menos freqüentemente, interposição de alça jejunal a esse nível (operação de Merendino).
*Fonte : Revista Diagnóstico e Tratamento, numero 1 , 1996
Ola Débora,
ResponderExcluirConvivo com o problema desde 2007, hj encontrei uma médica que soube me explicar o que possívelmente eu tenho (megaesofago), foi solicitado uma série de exames e talvez cirurgia... que consiste na "abertura" do esfincter... foi esse seu caso? Obrigada
Guacira
Oi eu tenho esse problema a 6 anos gostaria de saber se existe alguma maneira de amenizar os sintomas sem q seja a cirurgia .
ResponderExcluirpoxa a 6 anos ??? como vc vive hoje em dia? tambem tenho o mesmo problema e gostaria da saber a longo prazo como é os sintomas...
ExcluirOi eu tenho esse problema a 6 anos gostaria de saber se existe alguma maneira de amenizar os sintomas sem q seja a cirurgia .
ResponderExcluirMinha namorada está na fase de fazer os exames levaremos ao médico em breve ela tem todos os sintomas de acalasia foi feito a seriografia esofagica e a mamometria.... Ela tem 23 anos a doença pode estar no início pela idade? E pode ter chances de viver sem o muito incômodo que a doença proporciona?
ResponderExcluirMinha namorada está na fase de fazer os exames levaremos ao médico em breve ela tem todos os sintomas de acalasia foi feito a seriografia esofagica e a mamometria.... Ela tem 23 anos a doença pode estar no início pela idade? E pode ter chances de viver sem o muito incômodo que a doença proporciona?
ResponderExcluirMinha namorada está na fase de fazer os exames levaremos ao médico em breve ela tem todos os sintomas de acalasia foi feito a seriografia esofagica e a mamometria.... Ela tem 23 anos a doença pode estar no início pela idade? E pode ter chances de viver sem o muito incômodo que a doença proporciona?
ResponderExcluirEu tive a acalásia fiz a cirurgia a 1 ano e continuo tendo os mesmos sintomas.O que que eu faço?
ResponderExcluirtambem fiz a cirurgia faz 2 anos e continuo com os mesmos sintomas
ExcluirBom não tem muita saída conforme relatos sendo assim eu sugiro buscar o médico dos médicos, Jesus Cristo, tenho a plena convicção que ELE tem poder pra curar, afinal de contas ELE curou a minha coluna, uma acalasia tá fácil. Ele fez um paralitpar levantar na minha frente, uma acalasia e mole....
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