Os dias foram passando e nada melhorava. Continuei minha busca por informações na internet. Lá descobri uma comunidade de pessoas que têm acalásia, e trocando experiências, conversas e afins, fiz uma coisa que NÃO RECOMENDO A NINGUÉM: Me auto-mediquei.
Comprei o remédio que uma amiga da comunidade tomava – Isordil. Ele é vasodilatador. Algumas pessoas se tratam com ele e se dão muito bem, eu achei que comigo também seria assim, mas minha atitude me colocou em risco.
Tomei um… e fui comer. Sabe o que aconteceu? Eu consegui comer!
Então, 2 horas depois eu tomei outro, e consegui comer novamente… 2 horas depois mais outro, e assim foi.
Pra resumir. A dose diária máxima são 3 comprimidos e eu não sabia. Acabei tomando 8 e fui parar no PS toda roxa com mãos e pés tortos… Horrível não?
Fica a lição pra quem lê: Por mais desesperado que você esteja para comer, NUNCA faça o que eu fiz, isso é perigosíssimo e pode não ter volta.
Pós Isordil, fiquei com tanto medo que joguei toda a cartela fora. Mas meu problema continuava. Sem o remédio continuava a ficar até 3 ou 4 dias sem nem beber água.
Em agosto de 2009, um colega da minha mãe, conseguiu pra mim uma consulta com um cirurgião no Hospital Vermelinho na Vila Maria. Lá vamos nós – eu e mamãe outra vez.
As 5:30 da manhã saímos de casa. O médico muito atencioso - Dr. Paulo, disse que meu caso era pra cirurgia URGENTE, mas naquele hospital, não tinha o aparelho necessário para me operar, então me encaminhou para o Hospital São Paulo, pra que minha cirurgia fosse feita lá. No mesmo dia fomos direto pro HSP. O sol estava fortíssimo e eu há 3 dias sem comer.
Chegamos ao HSP, e só pra tentar encontrar o local que fazia o agendamento, eu perdi as contas de quantas portas batemos e de quantos quarteirões andamos. No agendamento – quando finalmente consegui achar! – o rapaz disse que lá fazia cirurgia sim, porém o papel que o médico do Hosp. Vermelinho deu, não servia pra agendar nada lá.
Comecei a me irritar. Voltamos (no mesmo dia) pro Vermelhinho pra trocar o tal papel. Detalhe: o trajeto de um Hospital a outro levava por volta de 1h e 30m.
Trocamos o papel, voltamos pro HSP pra falar com o mesmo atendente, mas ele disse que seria necessária passar por uma avaliação com a equipe gástrica de lá, que demoraria mais ou menos 4 horas.
Tinha opção? Já estava lá mesmo. Literalmente, sentei e esperei.
Era meio dia.
O atendimento estava previsto para as 16h. Mas já era 18h e eu não havia sido atendida ainda, e acabei passando mal, o mais óbvio depois de 3 dias sem comer e uma maratona num sol escaldante.
Minha mãe pediu a enfermeira pra me amparar e sabe qual foi a resposta?
“Isso aqui é um hospital senhora, num tem só sua filha passando mal…”
Não me esqueço das lágrimas nos olhos da minha mãe aquele dia, e de como ela teve que engolir a seco aquele descaso. As pessoas que estavam perto de mim, ficaram revoltadas, foi muito difícil.
As 19:30 finalmente fui atendida por um médico residente, que mal sabia ver qual era o lado certo do raio-x. Com TODOS os meus exames na mão ele teve a “coragem” de dizer que eu não tinha NADA.
Acabou com a minhas esperanças. À meia noite, minha mãe e eu voltávamos pra casa, chorando pelo meio da rua sem saber o que fazer e a quem recorrer. Voltei à estaca zero.
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