sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Foi Apendicite !!!

Oi amigos,

To passando pra contar meu último martírio...
Não vou me estender muito, mas o papo de diverticulite dito pelos médicos residentes do HC, foi só papo mesmo - pra tirar minha paz, literalmente!
Após uma espera de quase 5 horas por atendimento, fiz algo que não é do meu feitio: Desci do salto e armei o maior barraco no hospital!
Aí apareceu remédio, médico, e até roupa pra me internar...e no final, num tinha nada de diverticulite como eu disse, era APENDICITE.

Fiz a cirurgia para retirar o apêndice na madrugada do último dia 07, recebi alta dia 09 e ainda estou com os pontos. Era pra tirar hoje, porém como estão inflamados, ainda terei de esperar mais alguns dias.
Nossa, apêndice é uma coisa que dói a beça, me fez lembrar o parto do meu filho mais velho...AFF !

O único problema disso tudo é que minha cirurgia do esôfago terá de ser adiada por conta desta de agora. Provavelmente será em julho... É bom que me organizo com os estudos, aliás outra coisa que nem deu tempo de contar: "Voltei pra faculdade!!!"
Consegui uma bolsa de estudos e estou cursando Direito. Estudar faz bem pra cabeça, desvia o foco da doença e me faz sentir importante!
Estou muito animada. Apesar de estar indo as aulas costurada...rs
Creio que uma nova e boa fase está iniciando na minha vida, é uma forma de "compensar" - se é que isso é possível - todas as coisas boas que perdi por causa dessa doença...

Enfim, apesar de tudo me recupero bem, e me sinto muito mais feliz!

Beijos a todos

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Diverticulite..

Oi amigos,

Sempre fico uns dias "sumidinha" mas tava criando coragem pra escrever. Já disse que não gosto de ser portadora de más notícias, mas quero compartilhar o que tem acontecido comigo nessa ultima semana:
Comecei a sentir dores na região pélvica - o que me fez pensar que os pontos da minha cesariana estavam inflamados. Mas na quarta iniciei um quadro de febre de 39° que persistiu por 3 dias.
A dor aumentou, e acometeu todo o lado direito do abdômen, senti a perna repuxando, então na noite de sexta feira fui pro HC de São Paulo. Fizeram vários exames, mas os médicos ficaram na dúvida do diagnóstico, queriam me internar pra operar apendicite mas também levantaram a hipótese de DIVERTICULITE.
Não quis ficar internada, afinal, se eles têm dúvida sobre o diagnóstico, não podem fazer uma cirurgia sem certeza. Não tenho nada contra os médicos residentes mas me reservo ao direito de não me arriscar.
Eles não quiseram me dar alta, então "me evadi". Estou em casa, ainda com muita dor porém amanhã, volto pro HC mas dessa vez pra falar com o meu médico - Dr. Júlio - que com certeza tem bagagem o suficiente pra me avaliar e me dar um diagnóstico confiável.
Pesquisei sobre a DIVERTICULITE, tá aí pra vcs:

Diverticulite Aguda
    O que é?

    Divertículos são formações saculares que podem ser encontradas em todo o tubo digestivo, localizando-se, entretanto, com maior freqüência ao longo do intestino grosso. Estas saculações são o resultado da fraqueza de alguns locais da parede do intestino grosso, principalmente na musculatura desta parede.
    Esta doença atinge 8% da população mundial, e aumenta progressivamente com a idade. Sabe-se que um terço das pessoas com mais de 60 anos apresentam divertículos intestinais. Em contrapartida, é menos freqüente em pessoas com idade inferior a 40 anos (2 a 5%).
    A diverticulite aguda ocorre devido à obstrução destes divertículos por fezes ou por alguns alimentos, o que levaria a um grande processo inflamatório na parede intestinal, associado a uma infecção do local. A diverticulite aguda é uma complicação comum na evolução e história natural da doença diverticular, e ocorre em 10 a 25% dos pacientes com divertículos intestinais.
    A evolução da diverticulite aguda pode ser para a resolução pelo tratamento clínico, ou então se complica pela formação de abscesso (pus), perfuração e peritonite (infecção da cavidade abdominal). De acordo com esta evolução, a diverticulite aguda se apresenta em quatro graus: (1) inflamação e infecção limitada à parede do intestino grosso; (2) abscesso (presença de pus) próximo ao divertículo comprometido; (3) perfuração do abscesso com vazamento de pus para toda a cavidade abdominal; e (4), o vazamento de fezes para a cavidade abdominal devido à perfuração do divertículo.
    Sintomas

    Apesar da diverticulite aguda acometer qualquer idade, ela é mais comumente observada em pacientes com mais de 50 anos de idade. A dor é a sua principal característica, estando esta localizada no lado esquerdo do abdome. O sintoma doloroso é semelhante ao da apendicite aguda, só que no lado esquerdo. A dor tem um início lento, mas progressivo, tornando-se constante com a evolução do processo inflamatório, e se apresenta como cólica intestinal.
    Observam-se náuseas, mas os vômitos são infreqüentes, e quando presentes podem sugerir intenso processo inflamatório intestinal. A distensão do abdome é uma queixa freqüente, principalmente após as refeições. A febre é outro sintoma normalmente referido e, quando elevada, sugere a possibilidade de diverticulite com abscesso. Alterações do hábito intestinal, como diarréia e, principalmente constipação, também são muito comuns. Surtos repetidos de diverticulite aguda levam ao estreitamento do intestino grosso, causando distensão do abdome e alteração na forma das fezes (em fita ou “bolinhas”).
    Devido à proximidade do intestino grosso com a bexiga e o ureter, alguns pacientes referem sintomas semelhantes aos da infecção urinária, como a ardência ao urinar.
    Ao exame físico, o paciente refere dor à palpação do abdome, e dependendo da intensidade (abscesso ou peritonite), o exame é extremamente desconfortável para o paciente. Em alguns casos, o intestino grosso acometido pela diverticulite é facilmente palpável devido ao grande processo inflamatório ou à presença de abscesso volumoso.
    Diagnóstico

    O exame de sangue (hemograma) mostra um aumento das células de defesa (leucócitos), podendo ser este aumento discreto (diverticulite leve) ou intenso (abscesso e peritonite).
    A ultra-sonografia e a tomografia computadorizada do abdome são métodos úteis no diagnóstico da diverticulite aguda, pois mostram a inflamação da parede do intestino grosso, além da presença do abscesso. Nos casos que atendo em meu consultório, dou preferência à tomografia, já que este é um método de maior eficácia do que a ultra-sonografia no diagnóstico da diverticulite e das suas complicações, além de possibilitar o diagnóstico de outras doenças (ginecológicas e apendicite aguda), quando não se tem certeza se a causa dos sintomas é mesmo a diverticulite.
    Um outro exame importante no diagnóstico da diverticulite é o enema opaco. Neste exame injeta-se contraste no interior do intestino, e desta forma, o exame mostra a presença dos divertículos, do processo inflamatório na parede do intestino grosso, além, da diminuição do calibre do intestino. No entanto, este exame só pode ser realizado por médico experiente, pois a colocação do contraste no intestino gera um aumento da pressão em seu interior, o que levaria ao risco de perfuração do divertículo.
    Tratamento

    O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da presença ou não de complicações. As diverticulites muito leves podem apresentar resolução em ambiente domiciliar, e os pacientes são orientados a fazerem dieta sem fibra, e recebem antibióticos para o tratamento da infecção associada, de analgésicos, para o tratamento dos sintomas dolorosos, de antieméticos para a prevenção de náuseas e vômitos e antigases, para a melhora da distensão abdominal.
    Nas formas não complicadas, nas quais o paciente apresenta dor mais forte, febre, desconforto à palpação do abdome e alteração no hemograma, o tratamento clínico deve ser indicado. O tratamento clínico consiste em hospitalização, jejum ou dieta leve para promover o “repouso intestinal”, e hidratação. Estes pacientes recebem antibióticos e analgésicos por via endovenosa (veia). Após a melhora dos sintomas dolorosos e do quadro infeccioso, a dieta é reintroduzida de forma progressiva. O tratamento clínico permite a cura em 70 a 85% dos pacientes com diverticulite aguda.
    O tratamento cirúrgico está indicado nos casos em que houve falha no tratamento clínico ou na existência de complicações, como o abscesso e a perfuração intestinal. A operação consiste na ressecção (retirada) da parte do intestino grosso comprometida pelos divertículos e pela diverticulite, com reconstrução do intestino (junção). 
    Nos casos em que há uma grande infecção intestinal associada à presença de pus e fezes na cavidade abdominal, a ressecção do intestino também é realizada. No entanto, a reconstrução do intestino pode ser perigosa devido ao risco de fístula (vazamento) no local de junção das partes do intestino. Nestes casos, realiza-se uma colostomia (exteriorização do intestino grosso através da parede do abdome). Depois de resolvido o processo inflamatório e infeccioso por completo, o paciente é submetido à reconstrução do trânsito intestinal normal, com fechamento da colostomia. Este segundo tempo da cirurgia é realizado, em geral, dois meses após o primeiro tempo do tratamento cirúrgico.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Voltando do Exame...

Oi amigos,

Hoje foi meu EED Contrastado lá no HC. Fui muito bem atendida e graças a Deus lá o método do exame é diferente do primeiro que eu fiz.
O primeiro eu tinha que engolir o contraste estando deitada e virando em várias posições - o que dificultava mais ainda pra mim.
Hoje foi de pé,  e "assistindo" tudo por um monitor que estava de frente pra mim. Me vi por dentro..rs
Tecnologia é outra coisa neh?!

Mas vamos ao que interessa...
Durante o exame vi algo se mexendo e até perguntei se era meu coração batendo, mas não - era o esôfago...Fiquei na duvida...Como ele tava mexendo se na manometria apontou que ele não estava se mexendo?

O médico explicou que cada parte do esôfago faz um tipo de movimento. A que estava se mexendo era a parte inferior o que na prática não conta tanto, pois o corpo do esôfago não tem movimento realmente.
Mas perguntei se esse movimento não afetava nada?
Ele disse que mesmo esse movimento na parte inferior do meu esôfago está incorreto. Ele se mexe descompensadamente - tudo seria um grande conjunto, mas como as outras partes não funcionam, essa parte  que se mexe não sabe muito bem o que fazer.
Hora mexe demais, hora de menos, então na mesma medida que ela pode permitir a passagem do alimento, também pode fazer voltar. Que coisa não?

Mas a surpresa do dia foi descobrir que meu estômago está fora do lugar.
Olha, não sei o porque nem me abalei tanto. Literalmente pensei: Mais isso! Tá bom...
Nem vou me esquentar por causa disso. Estou muito prática esses dias...Acho que, agora que já viram que tem mais um problema, melhor que já resolvem tudo de uma vez.
O médico disse que a posição do meu estômago é cirúrgica, ou seja, está assim por causa da cirurgia que fiz.

O que importa é que cumpri mais uma etapa. Daqui a 15 dias retorno com o Dr. Júlio e com fé em Deus vou marcar a cirurgia!

Bom, agora vou dormir um pouco..to bem cansada.

Ps: Odeio beber líquido de contraste, é horríveeeel!!! ...argh!!!

Beijos a todos

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Notícia rápida: Cirurgia da Vivi

Segundo "minhas fontes"...rsrs (Comunidade no Orkut).
A Vivi ja está se recuperando em casa da cirurgia que fez. Foi por vídeo e durou cerca de 6 horas.
E o melhor é que ela já conseguiu comer, sem precisar de água pra empurrar!
Graças a Deus que ela conseguiu a cirurgia, agora é vida nova e que Deus abençoe sua recuperação!

Um grande beijo!

Feliz Ano Novo !!!

Oi amigos,


Espero que todos tenham passado um bom final de ano, e de coração desejo a todos que nos seguem que tenham um ano realmente NOVO em todos os sentidos!
Muita paz, amor e principalmente - SAÚDE a todos !
Aproveito para contar uma experiência que tive antes do final do ano, e outras coisas mais...rs
Agora tenho uma nova amiga, aliás, nós temos, pois ela também faz parte da nossa comunidade - a Juliana.
Pouco antes do final do ano ela me ligou contando sua história, muito triste por sinal...eu não vou expor aqui, até porque não pedi autorização para isso, mas o fato é que, como muitos de nós, após ter um trauma emocional significativo, ela começou a apresentar disfagia.
Não estou dizendo que trauma emocional é sinônimo de disfagia, mas citei isso pois coincidentemente, a maioria das pessoas portadoras de acalásia e megaesôfago, dizem ter passado por algum tipo de trauma emocional antes de apresentarem sintomas da doença.

A Júh está numa fase delicada, porém já se transformou numa estudiosa do assunto - acho até que ela deveria mudar sua especialidade...rs 
Trouxe muitas informações úteis e falando nisso aproveito para informar aos amigos do Rio de Janeiro que na página "Onde Encontrar", tem informações novas para vocês, inclusive, prestadas por ela.
Já gosto muito dela, apesar de conversarmos apenas por telefone, espero que tudo corra bem para ela que, esta iniciando seus exames para fechar um diagnóstico.


Outra notícia:
Se lembram da amiga Jilma?
Eu estava muito preocupada com ela esses dias, sem conseguir contato por telefone, mas semana passada a Nanda nossa amiga me trouxe notícias novas. Não posso dizer que fiquei feliz, pois ficaria se ela estivesse completamente bem, mas me senti um pouco aliviada pois agora ela tem um "norte"... Antes estava lutando sem saber contra o que, passou por vários médicos e fez um monte de exames e nada apontava para acalásia ou megaesôfago, e cada dia mais nossa amiga se desesperando. Isso é uma coisa que só quem passa sabe... Os que estão à nossa volta nem sempre vão entender, podem achar que é psicológico, aliás que mania que o povo tem de jogar tudo pro psicológico?!
Isso é algo que ao invés de ajudar acaba piorando... Pessoas portadoras de doenças incomuns como a nossa, na maioria das vezes são taxados de loucos e anoréxicos, pra depois serem vistos como pessoas que não optaram por essa condição e que precisam de muita compreensão.
Sempre costumo dizer que não comer afeta o sistema nervoso, o humor..e é fato!
Essa semana fiquei 3 dias seguidos sem conseguir comer, no primeiro dia tudo bem, no segundo mais ou menos, no terceiro já estava xingando tudo e todos...Não é fácil. Aliás, é difícil e desesperador!
Mas voltando à Jilma, aparentemente (ainda estão investigando) o que ela tem se chama MIOPATIA.
Que é isso???


Leiam:
Miopatia é designação genérica das afecções e doenças musculares em que as fibras musculares não funcionam em muitas vezes, o que resulta em fraqueza muscularCãibras musculares, rigidezespasmo,tetania e o "manobrismo do levantar" são sintomas e sinais associados à miopatia.


Só de ler isso aposto que a maioria já entendeu em que essa doença fica parecida com a nossa certo?


Agora a segunda parte:

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado na clínica, dosagem de enzimas musculares e exame do DNA. Quando o exame do DNA não detecta as deleções, que são as alterações mais comuns do gene, realiza-se então a biopsia de músculo com estudo da distrofina por meio de métodos imunoistoquímicos. Embora não haja um tratamento específico, o uso de deflazacort na dosagem de 1 a 1,5 mg/Kg/dia V.O. tem apresentado aumento no tempo de deambulação dos pacientes. Obtém também diagnóstico a partir do exame eletromiógrafo ou eletroneuromiógrafo.

Tratamento

Os diferentes tipos de miopatias são causadas por diversas maneiras, não existe um tratamento único para todas as miopatias. Os tratamentos vão desde o tratamento dos sintomas muito específicos tratamentos de segmentação. A terapia medicamentosa, fisioterapia, a cirurgia, massagens, e até mesmo acupuntura são os tratamentos atuais para uma variedade de miopatias.
O tratamento é sintomático da miotonia e fisioterapia. Nos procedimentos cirúrgicos deve-se evitar o uso de succinilcolina devido a piora da miotonia. O relaxante muscular de escolha deve ser a d-tubocurarina. O tratamento cirúrgico para correção das deformidades, dentre elas as retrações articulares permanentes e escoliose, dependerá da causa da miopatia e do seu prognóstico.
A avaliação cardiológica e respiratória é essencial em todos os casos de miopatia, pois muitas distrofias musculares são acompanhadas de comprometimento também do músculo cardíaco e redução da capacidade vital.
As miopatias podem ser tratadas com o uso de mexiletinasulfato de quininoprocainamidafenitoína, ou carbamazapina.

Gente, sinceramente depois que li isso, resolvi não reclamar do que tenho, pois acho essa doença bem pior. Como disse, por um lado, ainda bem que já estão dando uma luz pra nossa amiga, mas por outro continuo preocupada. Vamos acompanhar o que se passa com ela, mesmo que não seja esse diretamente o nosso tema. E aproveito para pedir as orações de vocês para que ela fique bem e encontre uma boa equipe para cuidar dela.
Sou muito grata à Jilma pois, através dela consegui o Dr. Júlio. Inclusive no próximo dia 23 tenho exame no HC e logo vem minha cirurgia se Deus quiser!
Essas são as novas...Ah, quase esqueci:
Fiz a festa do meu filho!
Tudo foi lindo, perfeito...Deus proveu as coisas de uma forma que nem sei explicar!
Foi na sexta feira dia 06/01. 
Lógico que eu não comi nada, e mesmo assim na manhã de sábado veio a bendita crise de esofagite..Nossa ninguém merece!
Por um lado, quando acordei passando mal no sábado, só tive tempo de dizer: "Graças a Deus que foi hoje, porque se fosse ontem eu tava perdida..."
Fiquei o dia todo dopada. Mas a surpresa maior foi o domingo. Outra crise. Nunca tive crise por repetição assim. Fiquei bem preocupada, mas graças a Deus passou. O importante é que hoje estou bem. Até consegui tomar um sorvete de casca!
Meus dias são assim, hora bons, hora ruins... O importante é estar viva e crer que as coisas vão melhorar!

Um enorme beijo a todos, depois volto pra contar mais novidades... e Feliz Ano Novo!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nova cirurgia...

Boa tarde pessoal,

Na semana passada fiquei de contar a vocês o resultado da minha consulta com o Dr. Júlio Rafael, que foi na última quinta feira - dia 17.
Eu estava muito ansiosa, e minha mãe - que me acompanhou, mais ainda.
Quando entrei na sala ele disse: " O que te traz aqui pimpolha? "
(pimpolha??? há muito tempo não ouvia esse termo - partindo disso vocês já imaginam a idade do médico néh??? rsrsrs...)
Entreguei meus exames e contei a situação. E para minha surpresa, com toda a naturalidade e simplicidade do mundo ele disse: " Em tanto tempo de profissão agente acaba aprendendo alguma coisinha... Eu consigo resolver teu caso "
Simples assim.

Fiquei abismada, afinal, pra mim a situação é insuportável, e ele colocou as coisas de uma forma tão simples e fácil que me senti até uma exagerada...rs
Mas, vamos o que interessa... como a consulta foi particular, subentende-se que tenho $$ pra arcar com todo o restante do processo, inclusive a cirurgia, e essa foi a parte tensa do negócio.
Enquanto ele dizia tudo o que eu faria dali por diante, minha mãe me dava "leves" bicudas no pé, pra eu poder falar a ele que não tínhamos condições de arcar com os valores.
Tomei coragem (ou tomava coragem, ou ficava sem pé...rs), e falei pro médico da minha situação, inclusive levei o laudo pericial do INSS (que até agora nada...) enfim, disse que há 1 ano e meio estou sem receber, e que tinha começado a trabalhar há 20 dias pois não tinha mais condições de esperar uma posição da Previdência. Então ele disse:
"Quem pode pagar, pague. Mas eu não vou deixar de cuidar de você, só porque você não teria uns.... (PAUSA PARA FAZER AS CONTAS)
...9 mil reais para arcar com essa cirurgia..."

Nem preciso dizer que minha mente paralisou na hora que ouvi 9 mil reais né?
Só voltei ao raciocínio, quando olhei pro lado e minha mãe estava chorando, e ele preenchendo a carta de encaminhamento ao SUS.
Ele disse que em 2 meses me deixa boa !
O melhor é que ele disse que são 90% de chances de NÃO retirar o esôfago.
Imediatamente lembrei da minha amiga Jennifer, e já pedi pra que ele a atendesse também. Ela vai marcar consulta e espero que tudo dê certo pra ela!
Agora tenho que esperar o resultado da biópsia, vou fazer um Raio-X contrastado sexta feira, e na segunda volto lá pra pegar o encaminhamento pros demais exames.
Aproveito o espaço para agradecer a todos os amigos (orkut, comunidade, blog, Facebook) pelo apoio, orações, palavras de ânimo... Muito obrigada mesmo!

Tem situações que vêm para mostrar exatamente com quem se pode contar, e esses dias têm sido de grandes "revelações" para mim.
Muita gente se achegou, mas muita gente também se afastou... Maaaas... eu quero quem me quer certo?
Amigos pra esbanjar o que você tem, pra sair, pra festinhas... isso tem de sobra.
Mas gente pra entender suas neuroses, chorar com você, gente pra quem você pode até pedir dinheiro (pra rasgar o verbo mesmo) e não vai virar a cara e se afastar, isso é que é raro. Ainda bem que eu tenho uns "gatinhos pingados" desses por perto.
Ainda mais agora que tive uma notícia tão boa na quinta, e outra tão chata no dia seguinte... Fui demitida do serviço, por ter faltado pra ir na consulta. Estava gostando muito do trabalho, estava feliz lá, mas como no mercado todo mundo é substituível, perdi a vez...
Semana passada meu marido (também por ter faltado pra me socorrer), e sexta feira eu...

Essa doença levou muita coisa da minha vida, muitas oportunidades boas... Afetou muita gente da minha família... No momento, me agarro com todas as forças na esperança de que essa seja a última cirurgia, o passaporte para a minha cura, pois sinceramente, estou muito frustrada em mais uma vez ter perdido uma boa chance por causa dessa porcaria de doença...
A verdade é que estou no auge o cansaço... Mental, físico e psicológico.
É duro se olhar no espelho e só enxergar um peso para sua família, e as vezes até ouvir que atrapalho a vida dos outros.
O pior de tudo, é voltar a depender dos outros. Isso tem me consumido...

Sabem, eu nem ia postar isso aqui, mas prefiro "distribuir" minhas tristezas pra um montão de gente que conheço - e que não conheço ler, assim não sobrecarrego meu marido, nem meus pais e nem meus "gatinhos pingados"...rs
Há meses eu programei a festa do meu filho mais velho.. Ele fará 5 anos dia 31/12 e eu programei a festa pra dia 06/01... Ele é uma criança especial (mesmo - ele tem um grau de Autismo). É um lindo bebezão, carinhoso, bom menino... Queria muito ter o gosto de presenteá-lo, me programei pra isso, mas sem o trabalho, não será possível fazer as coisas como eu queria. Hoje, isso é o que mais me dói. Me sinto tão incapaz a ponto de não poder proporcionar o melhor para ele...

Estou muito triste por isso... Eu tinha programado"X" e vai ter que ser "Y"...
Só quem é pai e mãe poderá entender o que sinto...


AHHHHH... chega senão daqui a pouco molho o teclado...

Gente, dia 28 to de volta no HC e quando marcarem minha cirurgia, podexá que passo aqui pra contar.

Beijos a todos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Agora sim, ESOFAGECTOMIA.

Oi amigos,

Fiquei um bom tempo sem postar nada, mas na verdade me recusava a ser portadora somente de más notícias. O fato é que desde a última postagem, tive 5 crises de esofagite, a última nessa terça-feira, a qual foi "decisiva" para o meu quadro. Porquê? Eu explico.

Sempre que tenho episódios de esofagite, sinto muita dor, tomo medicação e no outro dia estou bem outra vez, mas a da última terça foi completamente diferente. Senti dor além do costume, desmaiei 3 vezes e fiquei inconsciente a ponto de não me lembrar de nada além de eu ter entregado meu bebê nas mãos da minha vizinha quando cheguei do trabalho... Trabalho??? Sim, trabalho. Semana passada - após cansar de esperar uma solução justa do INSS comecei num novo emprego. Ambiente bom e favorável pra mim, mas como nem tudo é perfeito, logo de cara me vem uma crise dessas...

Affz...1 semana de trabalho e 2 atestados...é uma oportunidade ótima, tudo o que eu queria, mas quando eu voltar pra lá na segunda, não sei como vai ser. Enfim, está nas mãos de Deus...Ele conhece minhas necessidades.

Mas voltando a crise...o diferente foi que, tecnicamente eu deveria estar 100% na quarta feira, mas ao contrario disso eu estava vomitado sangue. Fiquei muito assustada. Sorte que nesse mesmo dia se iniciava o plantão do Dr. Vicente (lembram dele???) aqui no Hospital Regional de Ferraz.

Fiz ontem uma endoscopia de urgência e o resultado não me deixou muito feliz... Agora eu tenho indicação para ESOFAGECTOMIA.
Colheram material para biopsia... quando se fala em biopsia, logo se associa a tumor, câncer e coisas do gênero... Estou muito abatida. E confesso que com medo também, devido à agressividade da cirurgia.

Depois da endoscopia, outra "surpresa" uma outra crise de esofagite de brinde. O detalhe: Estou há 4 dias sem comer nem beber água...sinto muita sede, mas nem água passa. Tá me dando desespero. Nessa hora é difícil manter a cabeça no lugar. Falei pra minha mãe que vou procurar um Psiquiatra, porque não estou no meu estado normal...rsrs

Pra encerrar o martírio, nada mais eficaz do que uma dose de morfina e 2 litros de soro, pra "compensar" o que não comi. E o pior, mais uma vez vi minha mãe chorar... Contei pra minha irmã - que também chorou litros, mas nem posso falar nada pro meu pai por enquanto, ele é diabético, hipertenso...faria muito mal a ele.

Comecei novamente a maratona hospitalar, dia 17/11 tenho consulta com um médico do HC de São Paulo - especialista em esôfago, vamos ver o que ele diz... Dia 03/12 sai o resultado da biópsia.

Agora é só aguardar...

Por hora é isso, espero voltar pra compartilhar coisas boas com vocês!

domingo, 25 de setembro de 2011

Esclerose Sistêmica

Oi gente, to aqui outra vez...e nas minhas "fuçadas" pela net, encontrei um artigo sobre Esclerose Sistêmica que me interessou muito.

Aposto que vocês pensaram: "O que esclerose tem a ver como acalásia?"

Eu digo:

Nas últimas conversas que tive com alguns médicos, eles pediram para eu investigar essa linha...pois, nada explicaria uma progressão tão rápida do meu quadro de acalásia e megaesôfago além de uma doença auto-imune como a esclerose.

Lógico que antes de me apavorar ou bater o martelo, terei de fazer uma série de exames (outra vez...), mas pelo menos é um norte no que se refere a tratamento, uma vez que minha vida é só Omeprazol e Bromoprida para amenizar as crises.

O que li, explica muito sobre os sintomas que tenho, e de repente pode até ajudar mais gente.

Minha amiga Jennifer está na mesma situação que eu: Cirurgia sem sucesso e 100% de aperistalse do corpo esofágico, e há pouco tempo conheci uma pessoa lá da comunidade do orkut - a Jilma, que tem um caso mais estranho que o meu.

Ela tem TODOS os sintomas do megaesôfago, disfagia severa e perda de peso acentuada, mas o curioso é que nos exames gástricos, não acusa nada!

Nunca vi isso gente... Imagino que o sofrimento dela é dobrado pois, ela tem todo o desconforto de uma síndrome, mas não tem diagnóstico para tratar. Conversei com ela por telefone esses dias, dá uma aflição danada...Confesso que nem sei como ajudar... Só me resta emprestar o ombro néh?

Não sei muito bem como confortá-la, uma vez que eu também vivo numa situação complicada... Meu peso continua indo embora, e os cabelos então...vixe... cada passada de mão é um monte que sai.

Mas na minha família encontro a força que preciso e assim vou seguindo.
Lá vai a pesquisa:

Descrição

A esclerose sistêmica ou esclerodermia é uma doença reumática auto-imune, ou seja, o organismo passa a produzir anticorpos que atacam as próprias células da pessoa afetada. Paralelamente à produção desses anticorpos acontece uma produção exagerada de tecidos fibrosos. Ocorrem também alterações dos vasos sangüíneos, principalmente nos capilares, que levam a um déficit crônico de oxigênio e nutrientes nos tecidos.

A esclerose sistêmica não é uma doença transmissível pelo contado e também não há evidências de transmissão de pais para filhos. É extremamente importante que o paciente e seus familiares sejam muito bem informados a respeito de todos os aspectos da doença, para que todos os cuidados relativos ao tratamento e à reabilitação sejam seguidos à risca.


Quais são os órgãos são afetados?

Tanto a fibrose quanto as alterações vasculares da esclerose sistêmica podem afetar qualquer órgão do corpo, principalmente a pele, as articulações, o esôfago, os intestinos, os pulmões, os rins e o coração.


Quais são os sintomas da doença?

O Fenômeno de Raynaud costuma ser o primeiro sintoma da doença. Consiste em episódios de palidez e/ou arroxeamento das mãos e eventualmente dos pés, causados pelo frio ou por estresse emocional.
Deve-se salientar que esse é um sintoma muito comum, que acomete até 10% da população, e na maioria dos casos não tem qualquer significado clínico, sendo apenas um distúrbio funcional benigno. Ele pode se apresentar isoladamente por anos, antes que surja qualquer outro sintoma. Esse é o melhor momento para o diagnóstico da doença.
Após um tempo variável do início do Fenômeno de Raynaud, costuma ocorrer inchaço das mãos, dores nas articulações e a pele dos dedos começa a ficar dura e espessa.
O quadro cutâneo pode progredir para os antebraços, pernas e face na forma limitada da Esclerose Sistêmica, ou acometer também o tronco e o abdome na forma difusa.
Em torno de 5% dos pacientes, pode não haver nenhum acontecimento cutâneo, ocorrendo apenas o envolvimento dos órgãos internos.
Outro sintoma freqüente e precoce é a dificuldade de deglutição (causada pelo comprometimento do esôfago), inicialmente para alimentos sólidos e farináceos, e depois também para alimentos pastosos e líquidos. Geralmente, o paciente diz que consegue engolir a comida mas ela "entala" nas porções mais baixas do esôfago.
Outras vezes, ocorre o chamado refluxo gastroesofageano, onde a pessoa refere azia intensa e regurgitação de líquido gástrico para a boca, podendo apresentar também rouquidão e acessos de tosse com sensação de "engasgo".
As alterações pulmonares são muito importantes na Esclerose Sistêmica, apresentando-se em geral como tosse e falta de ar, que podem ser progressivas e devem ser prontamente investigadas e tratadas.

Quais são as conseqüência da doenças?

A Esclerose Sistêmica é uma doença espectral, pode ocorrer de modo leve e benigno, com alterações orgânicas discretas, ou apresentar-se em graus progressivos de agressividade, onde o acometimento renal e principalmente o pulmonar poderiam ocasionar a morte. A lesão cutânea, além de causar dano estético acentuado, pode levar a graus variáveis de limitação das atividades da vida diária.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nova crise...

Oi amigos !

Fiquei um tempo sem aparecer, mas por motivos razoáveis. Um deles, outro episódio de esofagite que me acometeu quinta feira passada.
Nessa última crise, a diferença é que a dor demorou bem mais a passar.

Mesmo com a medicação, a dor persistiu por 3 dias. Nunca tive uma crise assim.
Os intervalos estão maiores. Essa demorou 1 mês para acontecer, mas em compensação, foi muito mais duradoura.

Pra piorar, essa semana não está passando nada... ontem nem água bebi, hoje também. Não nego que meu sistema nervoso está super atacado, estou numa irritabilidade que nem TPM supera.

Falta de alimentação mexe com os nervos, isso está comprovado. Fora os meus cabelos que voltaram a cair aos tufos... Toda vez que passo o pente saem "bolos" de fios... Isso me deixa apavorada!

Ainda aguardo a consulta médica, enquanto isso é buscar forças para não desanimar..é o jeito né?

Ah, vou atualizar a página "Onde encontrar", nossa amiga Regina - da comunidade no Orkut mandou informações sobre o seu tratamento, confiram!

Beijos e saúde pra todos!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Novas informações muito interessantes !

Olá amigos do blog e galera que nos acompanha !


Semana passada a amiga Cris Crepaldi - da comunidade no Orkut, me mandou um link com muitos artigos sobre várias síndromes inclusive a nossa, dos quais destaquei um que achei muito interessante! Inclusive quero informar a todos que o marido da Cris, que fez a cirurgia por vídeo no último dia 30/08 está se recuperando super bem...foi até no shopping tomar sorvete! rsrs...

Segue o texto com o link no final para quem quiser conferir todo o conteúdo da página, e pra quem quiser saber onde o Cássio - marido da Cris, encontrou tratamento, vou postar os dados que ela me mandou na página "Onde Encontrar", ok?


Beijos a todos.


Segue a matéria:


Comparação entre acalásia idiopática e acalásia conseqüente à doença de Chagas: revisão de publicações sobre o tema

RESUMO

RACIONAL: Embora acalásia idiopática e acalásia conseqüente à doença de Chagas tenham manifestações clínicas semelhantes, mesmo tratamento e ambas comprometerem o plexo mientérico do esôfago, é possível que as alterações motoras do esôfago provocadas pelas duas doenças não sejam iguais, conseqüência da diferente intensidade da destruição dos neurônios inibitórios e excitatórios do esôfago.
OBJETIVOS: Revisar os trabalhos que estudaram a fisiopatologia e as alterações motoras do esôfago na acalásia idiopática e na doença de Chagas.
DADOS E FONTES DE REFERÊNCIAS: Foram revistos trabalhos que definiram as características da acalásia idiopática e aquela provocada pela doença de Chagas.
SÍNTESE DOS DADOS: Está demonstrado o comprometimento da inervação inibitória do esôfago nas duas doenças. Em relação à inervação excitatória, os resultados dos estudos dos efeitos do edrofônio, da atropina e da toxina botulínica sugerem que ela está mais comprometida na doença de Chagas do que na acalásia idiopática, o que justificaria a maior pressão do esfíncter inferior do esôfago observada na acalásia idiopática. Os pacientes com doença de Chagas têm mais falhas de contrações e maior freqüência de anticorpos contra os receptores muscarínicos M2 da acetilcolina. A duração da contração em corpo esofágico é maior nos pacientes com acalásia idiopática.
CONCLUSÕES: Os diferentes trabalhos que estudaram as duas doenças sugerem que existem diferenças entre o comprometimento do esôfago na acalásia idiopática e na doença de Chagas, principalmente no comprometimento da inervação excitatória, mais intenso na doença de Chagas.

Descritores: Acalásia esofágica. Doença de Chagas. Transtornos da motilidade esofágica.



Acalásia é a mais conhecida doença motora do esôfago, caracterizada por relaxamento parcial ou ausente do esfíncter inferior do esôfago (EIE) e contrações não-peristálticas no corpo esofágico(44). No exame radiológico é encontrada retenção do meio de contraste no esôfago, incoordenação no trânsito, afilamento regular da transição esofagogástrica e esôfago dilatado. O sintoma mais freqüente é a disfagia, seguida pela regurgitação, pirose e dor torácica(44).

A doença primária, quando compromete somente o esôfago, não tem etiologia conhecida, sendo infecção por vírus a hipótese mais provável(20, 27). A doença secundária, quando doença sistêmica provoca a alteração motora do esôfago, tem grande número de causas(20, 27). No Brasil a doença de Chagas é a mais importante(36, 37).

Acalásia idiopática é doença pouco freqüente, com prevalência estimada de 7 a 13 casos por 100.000 habitantes(20, 35). Acalásia provocada pela doença de Chagas afeta de 7% a 10% das pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi(37). Durante muitos anos o número de pessoas no Brasil com doença de Chagas foi muito grande e, como conseqüência, a prevalência de megaesôfago no Brasil foi muito maior do que a observada em outros países. O combate intensivo visando diminuir a transmissão da doença ocorrido na segunda metade do século XX, fez com que a prevalência diminuísse rapidamente, estando atualmente restrita a casos crônicos e a algumas regiões do país.

O termo acalásia é referente à doença motora do esôfago e megaesôfago a sua conseqüência. Embora haja muita semelhança entre o megaesôfago idiopático e aquele provocado por doença de Chagas, têm sido observadas algumas diferenças entre elas(8). Não é surpresa que tal fato ocorra, pois, entre as várias doenças que podem provocar acalásia, existem diferentes graus de lesão no esôfago(27).

Nesta revisão foram incluídos trabalhos que estudaram as características do envolvimento do esôfago na acalásia idiopática e na acalásia conseqüente à doença de Chagas, principalmente aqueles que compararam as duas doenças utilizando o mesmo método.

De comum entre acalásia idiopática e chagásica há a observação de perda dos neurônios do plexo mientérico do esôfago(23, 30). Entretanto, estudos da fisiopatologia da acalásia descrevem que a lesão do plexo mientérico ocorre mais intensamente nos neurônios inibitórios, sendo os neurônios excitatórios lesados em graus variáveis de intensidade(27), o que provoca variações na apresentação da doença motora do esôfago(28). A intensidade do comprometimento do plexo mientérico provoca grande variação na esofagopatia conseqüente à doença de Chagas(11, 12, 36). Os trabalhos que tiveram por objetivo o estudo da fisiopatologia e alterações manométricas observadas no megaesôfago sugerem que na acalásia idiopática prevalece a lesão da inervação inibitória e na doença de Chagas as lesões comprometem a inervação inibitória e também a excitatória. Em sendo esta hipótese verdadeira, a pressão do EIE deveria ser alta na acalásia idiopática e normal ou baixa na doença de Chagas(27).

Vários estudos têm demonstrado que a pressão do EIE na acalásia idiopática está aumentada(6, 10, 20, 29, 31). Na doença de Chagas diferentes trabalhos descrevem resultados em que a pressão do EIE está diminuída(10, 38), normal(7, 15, 26, 31) ou aumentada(34, 40). As evidências de que na acalásia idiopática a inervação excitatória do EIE está íntegra ou só parcialmente comprometida estão na observação de que há na doença hipersensibilidade do EIE à gastrina(6, 29), de queda de pressão quando da injeção de toxina botulínica no esfíncter(39), da manutenção das respostas ao edrofônio(29) e à atropina(29), e predomínio da inervação a-adrenérgica, em detrimento da inervação b-adrenérgica(5). Também são encontradas redução do número de fibras com polipeptídio intestinal vasoativo(3, 41) e perda funcional dos receptores D2 da dopamina (inibitórios), com manutenção dos receptores D1 (excitatórios)(41).

Na doença de Chagas ocorre hiposensibilidade do EIE à gastrina(38), predomínio da inervação a-adrenérgica em relação à inervação b-adrenérgica(21), resposta parcial à atropina(9) e à toxina botulínica(4). Nas duas formas de acalásia está demonstrada a perda da inervação não-adrenérgica não-colinérgica inibitória do esôfago(33)*.

O controle da pressão do EIE é dado pela ação própria da musculatura, o componente mais importante, a inervação colinérgica(27), o efeito de outros neurotransmissores(41) e a ação de hormônios(25). A participação de hormônios é duvidosa e, caso exista, é de pequena importância. No caso da acalásia a gastrina agiria na inervação colinérgica excitatória que, sem o antagonismo da inervação inibitória, exibe resposta aumentada(6). No caso da doença de Chagas, a resposta está diminuída(38), o que reforça a idéia de comprometimento da inervação excitatória, embora os níveis de gastrina circulantes estejam aumentados(42, 43), o que não ocorre na acalásia idiopática(6). Com a colecistocinina, que no esôfago normal provoca diminuição da pressão por agir na inervação inibitória, na acalásia provoca-se o efeito de grande aumento de pressão(17), conseqüente à ação direta na musculatura do esfíncter.

Anticorpos contra receptores muscarínicos M2 de acetilcolina são mais freqüentes em pacientes chagásicos com acalásia do que em pacientes com acalásia idiopática. Estes anticorpos aumentam in vitro o tônus da musculatura de EIE(22).

Não foram encontradas diferenças entre pacientes com acalásia idiopática e aqueles com doença de Chagas na amplitude das contrações esofágicas(1, 15), destacando-se que nas duas doenças ela está diminuída em relação a pessoas normais(15), e na amplitude das contrações em faringe, neste local sem diferença com pessoas normais(2). A proporção de pacientes com contrações de baixa amplitude (inferior a 37 mm Hg) é maior nos pacientes com doença de Chagas do que naqueles com acalásia idiopática(13). Trabalhos sobre a complacência esofágica também encontraram resultados semelhantes nas duas doenças, ou seja, aumento da complacência(19, 24). A duração da contração esofágica é maior nos pacientes com acalásia idiopática do que nos pacientes com doença de Chagas(1, 15) e deglutições seguidas de falha de contração(15), bem como o número de pacientes com falhas de contração(1), são maiores entre os pacientes com doença de Chagas do que entre os pacientes com acalásia idiopática.

No estudo do esfíncter superior do esôfago foram encontradas pressões semelhantes nas duas formas de acalásia e em pessoas normais em um estudo(14) e pressão baixa na doença de Chagas em outro(2). Na pessoa normal a distensão do esôfago com ar faz a pressão do esfíncter superior do esôfago cair e o ar ser eliminado(32). Em pacientes com acalásia a pressão sobe e o ar é retido, o que pode provocar grande distensão do esôfago e dificuldades respiratórias, com vários casos descritos em pacientes com acalásia idiopática(32), não sendo do nosso conhecimento a existência de casos semelhantes em pacientes com megaesôfago provocado pela doença de Chagas. A amplitude de contração em parte proximal do esôfago, poucos centímetros abaixo do esfíncter superior, é menor nos pacientes com acalásia idiopática do que em controles(16, 18), fato não observado em pacientes com doença de Chagas(16).

Estas possíveis diferenças nas lesões presentes nas duas doenças não têm grande influência na apresentação clínica. Observações não controladas sugerem que na acalásia idiopática os sintomas são mais intensos e evoluem com maior rapidez do que na doença de Chagas, mas a confirmação desta hipótese aguarda estudos que visem o seu esclarecimento. Como as doenças têm semelhantes alterações motoras no EIE e corpo do esôfago, as possibilidades de tratamento são as mesmas, a escolha da melhor opção para cada paciente na dependência da apresentação clínica e radiológica e da experiência do serviço médico que vai realizar a terapêutica. Trabalho recente, que comparou as diferentes opções de tratamento em pacientes com acalásia idiopática (toxina botulínica, dilatação pneumática e esofagomiotomia laparoscópica), demonstrou que o melhor custo-benefício relacionado à melhora da qualidade de vida ocorre com a dilatação pneumática, considerando-se os primeiros 5 anos após o tratamento(35). Em conclusão, embora a apresentação clínica e o tratamento da acalásia idiopática e da acalásia provocada pela doença de Chagas sejam semelhantes, os trabalhos que estudaram as conseqüências do comprometimento do plexo mientérico do esôfago sugerem que entre as duas doenças há diferenças neste comprometimento.


Roberto Coelho de Oliveira



Fonte: http://www.lookfordiagnosis.com/faq.php?term=Acalasia+Esof%C3%A1gica&lang=3&from=20

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Acalásia - o que é ?


De Wikipédia, a enciclopédia livre
Acalasia da cárdia é uma alteração neuromuscular hipertônica do mecanismo esfincteriano dacárdia, causando dificuldade de passagem do alimento do esôfago para o estômago e podendo evoluir com dilatação do esôfago. O termo acalasia, a rigor, designa toda alteração hipertônica de qualquer músculo circular (esfíncter) ou mecanismo muscular circular, como o piloro e o esfíncter anal, por exemplo, sendo entretanto uso comum seu emprego referindo-se especificamente ao distúrbio motor hipertônico da cárdia.
A acalasia é a mais clássica das disfunções motoras do esôfago, sendo descrita pela primeira vez em 1674 por Thomas Willis. A principal queixa do paciente portador de acalasia é a disfagia e dor retroesternal. Normalmente, a disfagia é de longa evolução, de anos, ao contrário daquela associada ao câncer esofágico, que tem semanas ou, no máximo, alguns meses de evolução. O paciente encontra-se geralmente emagrecido e com uma longa história de vômitos, regurgitação e salivação.
O mecanismo da doença consiste na destruição dos plexos mioentéricos da parede esofágica, com perda progressiva dos movimentos peristálticos e da capacidade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior, a cárdia. Pode ser de origem desconhecida ou ser causada por complicação crônica, a chamada Acalasia secundária, como na Doença de Chagas e na Neuropatia Autonômica Diabética.
Com a perda do tônus da sua parede muscular e a dificuldade da passagem dos alimentos através da cárdia ocorre progressiva dilatação e alongamento do corpo esofágico, podendo formar uma grande câmara retroesternal contendo grandes volumes de alimento e saliva.

Acalásia e Megaesôfago são coisas diferentes, mas que podem andar juntas...



O megaesôfago é uma doença de alta prevalência no Brasil, cuja fisiopatologia caracteriza-se pela não coordenação motora causada pela destruição dos plexos nervosos do órgão, levando a contrações ineficientes (desperistalse) e não relaxamento do esfincter esofágico inferior (EEI) - acalàsia. O mega­esôfago tem como principal etiologia, em nosso meio, a doença de Chagas sendo, ao lado do megacólon, as principais manifestações digestivas da enfermidade. Menos freqüentes sao os casos de acalásia idiopàtica, causa comum em outros países.

 DIAGNÓSTICO
 A história clínica mostra sintomas de longa duração, sendo três principais: disfagia, regur­gitação e perda de peso. A disfagia, geralmente, élentamente progressiva, com períodos de acalmia, que pode ser aliviada por movimentos repetidos de deglutição e ingestão de líquidos, aumentando, desse modo, a pressão ao nível do esôfago distal e impelindo o alimento contra o esfíncter acalásico, na tentativa de vencer a sua resistência. A regurgitação, principalmente noturna, é facilitada pelo decúbito, propiciando encontro de restos alimentares no travesseiro pela manhã. A perda ponderal tem como causa a dificuldade na alimentação. Outros sintomas são incapacidade de eructar, pirose, dor torácica e sialorréia. Pode­se encontrar sinais e sintomas decorrentes de outras manifestações da doença de Chagas (principalmente cardiopatia e megacólon) e nos antecedentes deve-se interrogar sobre a proce­dência de zonas endêmicas da doença de Chagas.
Ao exame físico surpreende-se, às vezes, aumento das glândulas parótidas (pela intensi­ficação do reflexo esôfago-salivar), desnutrição e manifestações da cardiopatia e do mega­cólon.
 O diagnóstico do megaesôfago é firmado pelos exames radiológico, endoscópico e eletromanométrico.
A radiografia simples pode mostrar ausên­cia de bolha gástrica e, nos casos avançados, imagem de alargamento mediastinal à direita. O exame radiológico contrastado mostra retardo de esvaziamento esofágico, dilatação e imagem afilada do contraste no esôfago distal (semelhante a um rabo de rato), dificuldade de progressão do contraste para estômago. Este exame também classifica o megaesôfago em graus (segundo Rezende), baseando-se no calibre do esôfago, no retardo de esvaziamento e no desvio no eixo do órgão. São considerados casos avançados aqueles cujo esôfago tem diâmetro maior que 10 centímetros, com retardo importante do esvaziamento e/ou com perda do eixo do órgão.
 A endoscopia é imperiosa, pois auxilia no diagnóstico diferencial de outras doenças causadoras de disfagia, além de permitir avaliação da mucosa esofágica e detecção de lesões pré-neoplásicas ou mesmo de neo­plasias, devido ao maior risco de carcinoma de esôfago nos portadores de megaesôfago. É importante mencionar que há fácil progres­são do endoscópio pela cárdia, ao contrário de afecções estenosantes do esôfago.
A manometria possibilita avaliação funcional do esôfago, e no megaesôfago demonstra desperistalse e acalásia, contudo, devido ao custo do equipamento e necessidade de pessoal especializado não é disponível em todos os centros.
 Outros exames menos utilizados são a cinesofagografia e o esvaziamento esofágico com radioisótopos.
 No diagnóstico etiológico da doença de Chagas há o teste sorológico de fixação de complemento de Machado e Guerreiro.
 TRATAMENTO
Como medida higieno-dietética recomenda-se evitar alimentos de difícil propulsão (alimentos secos, farináceos, carne) que ficam facilmente retidos ao nível do esôfago distal.
 Até os dias atuais não há tratamento medica­mentoso eficaz. O tratamento definitivo é assunto controverso e as opções são dilatação endos­cópica e cirurgia, porém, deve-se ressaltar que a terapêutica visa somente permitir livre passagem do alimento ao estômago, nunca recuperando a motilidade normal do esôfago.
 A dilatação do esôfago é realizada com insuflação súbita de balão, pneumo ou hidrostático. locado no EEI, na tentativa de lacerar as fibras musculares acalásicas sendo, por vezes, neces­sárias várias sessões. Alguns autores encontraram em casos de graus iniciais resultados semelhantes à cirurgia com esse procedimento.
 O tratamento cirúrgico proposto para casos não avançados consiste na secção de fibras muscu­lares da junção esofagogástrica (esofacardio­miotomia ou operação de Heller). Por seccionar as fibras circulares do EEI. elimina a acalásía. que é obstáculo à descida do alimento ao estômago. É uma cirurgia conservadora, de baixa morbimortalidade, que pode ser executada por toracotomia ou mais habitualmente, laparotomia, sendo atualmente realizada também por via videolaparoscópica. Alguns cirurgiões praticam a esofacardiomiotomia isolada; outros, em virtude da possibilidade de ocorrência de refluxo gastroesofàgico pós-operatório, associam fundoplicatura ao procedimento inicial. Em casos avançados, devido a resultados não animadores com a cirurgia conservadora (esofagocar­diomiotomia), propõem-se a realização de ressecção subtotal do órgão com anastomose esôfagogástrica a nível cervical (esofagectomia subtotal). Outras opções são as cirurgias que promovem a destruição da junção esôfagogástriea (operação de Thal-Hatafuku e Holt-Large) ou, menos freqüentemente, interposição de alça jejunal a esse nível (operação de Merendino).


*Fonte : Revista Diagnóstico e Tratamento, numero 1 , 1996

Complicações - Esofagite por Refluxo

O QUE É?
É um conjunto de queixas que acompanha alterações no esôfago resultantes do refluxo (retorno) anormal do conteúdo estomacal, naturalmente ácido, para o esôfago.
COMO SE DESENVOLVE OU COMO SE ADQUIRE?
O esôfago do adulto é um canal de 35 a 40 cm, que liga a boca ao estômago. Ele é elástico e na espessura de sua parede contém camadas musculares recobertas internamente por uma delicada pele com o nome de mucosa, parecida com o revestimento da boca. O início do esôfago fixa-se na parte inferior da garganta, desce pelo mediastino e cruza o diafragma através de um orifício chamado hiato, poucos centímetros antes de se abrir no estômago. O mediastino é a região entre os dois pulmões e o diafragma; é uma calota muscular que divide o tórax do abdome. O esôfago tem ligamentos para prendê-lo junto ao hiato diafragmático e que contribuem para formar um tipo de válvula de retenção para impedir o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago.
Quando o esôfago desliza para cima mais que 2 a 3 cm., traciona o estômago e ambas as estruturas se deslocam para o tórax. Decorre dessa alteração anatômica a Hérnia Hiatal que, por sua vez, prejudica a válvula anti-refluxo. Quando o conteúdo do estômago, em geral muito ácido, atinge a mucosa esofágica, este tecido reage - inflama - originando a Esofagite de Refluxo.
O QUE SE SENTE?
A azia é a principal queixa e raramente não ocorre. Seu nome técnico é pirose. Pode piorar, por exemplo, quando se dobra o peito sobre a barriga e quando se deita com o estômago cheio. É referida como ardência ou queimação, em algum ponto entre a "boca do estômago" e o queixo, correndo por trás do esterno, o "osso do peito". A azia pode ser tão intensa como uma dor no peito, causando impressão de infarto cardíaco. Pode ocorrer também um aumento da salivação, a sialorréia, que é um reflexo natural porque a deglutição dessa saliva alivia a queimação, como se fosse um antiácido natural.
A regurgitação é a percepção da volta do conteúdo estomacal no sentido da boca, sem enjôo ou vômito, freqüentemente, com azedume ou amargor. Não raro determina tosse, pigarro e alterações da voz. O engasgo - tosse forte e súbita, atrapalhando a respiração - pode despertar do sono e representar uma situação de refluxo gastro-esofágico. A ocorrência de falta de ar com chiado no peito, como a asma, pode ser desencadeada pelo refluxo.
Sensações, desde bola na garganta e desconforto ao engolir até fortes dores em aperto - espasmos - no meio do peito, representam uma desorganização das contrações faringo-esofágicas responsáveis por levarem ao estômago aquilo que ingerimos. Esses sintomas são considerados complicações do refluxo e levam o nome geral de dismotricidade esofágica.
Na criança, ainda no primeiro ano de vida, pode ocorrer um refluxo gastro-esofágico excessivo, levando à devolução da mamada, a engasgos, a choro excessivo, a sono interrompido e quando repetitivo, predispõe a infecções e distúrbios respiratórios.
COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO?
O relato do paciente adulto jovem pode levar ao diagnóstico, sem necessidade de exames num primeiro evento.
A radiografia da transição esofagogástrica, enquanto se deglute um contraste rádio-opaco, pode demonstrar tanto a hérnia, quanto o refluxo.
A Endoscopia Digestiva Superior é um exame para visualizar o esôfago, estômago e duodeno, passando um fino feixe de fibras óticas através da boca. A evolução da qualidade dos equipamentos, da eficiência da anestesia local da garganta, a eficácia e a segurança da sedação do paciente, tornaram a endoscopia um exame simplificado, do qual se acorda “sem ressaca”. Além disto, pode ser repetida para controle de resultado de tratamento e, mais recentemente, para procedimentos terapêuticos especiais. Uma tela recebe e amplifica com nitidez as imagens das áreas sob inspeção direta, permitindo também fotos e filmes para reexaminar os achados. Pode mostrar a incompetência da válvula de retenção gastro-esofágica e a hérnia. O mais importante é que permite ver manchas vermelhas, placas branquicentas e úlceras, principalmente na mucosa do esôfago inferior, sugestivas de graus variados da Esofagite de Refluxo. A endoscopia facilita a coleta de material destas lesões para exame microscópico, no qual se pode definir a inflamação, avaliar um potencial cancerígeno e até diagnosticar o câncer.
A Cintilografia do trânsito esôfago-gástrico é um método que tem sido usado mais na criança. Administra-se uma mamadeira normal, contendo uma quantidade inofensiva de substância radioativa. A cintilografia capta e registra imagens da radioatividade descendo para o estômago ou do estômago refluindo para o esôfago. É uma metodologia não invasiva, indolor e ambulatorial. Entretanto, nem sempre capta o refluxo, pois este não é permanente.
O estudo da pressão interna ao longo do esôfago (Manometria) e a verificação do refluxo da acidez do estômago para o esôfago (pHmetria de 24 horas) detectam variações naturais e anormalidades capazes de diagnosticar a DRGE. São métodos que chegaram à rotina clínica há relativamente poucos anos. Precisam ser usados quando os demais tem resultados insatisfatórios e para estudar parâmetros antes e depois do eventual tratamento cirúrgico da doença do refluxo.
COMO SE TRATA?
Em geral, o tratamento é clínico, com medidas educativas associadas aos medicamentos. A vídeo-laparoscopia vem facilitando o método cirúrgico, aplicado a casos selecionados, com resultados muito bons.
Além de combater a obesidade, é importante evitar grandes volumes às refeições e de deitar nas primeiras duas horas seguintes. Algumas pessoas beneficiam-se de dormir numa cama elevada pelos pés da cabeceira, em 20 a 25 cm. Outras, não se adaptam à posição: incham os pés, doem as costas, etc. Há controvérsias sobre restrição de diversos alimentos, particularmente, cítricos, doces e gordurosos. Ajudam no controle dos sintomas, algumas medidas, como: evitar a bebida alcoólica, não deglutir líquidos muito quentes, ingerir um mínimo de líquidos durante ou logo após as refeições, evitar a ingestão de chá preto e café puro com estômago vazio.
Os medicamentos mais usados são os que diminuem o grau da acidez no estômago (os populares antiácidos) e aqueles que inibem a produção de ácido pelas células do estômago ("antiácidos sistêmicos"). Outros remédios de um grupo chamado de pró-cinéticos destinam-se a facilitar o esvaziamento do conteúdo estomacal para o intestino, minimizando a quantidade capaz de refluir para o esôfago.
Uma queixa importante dos pacientes é a recidiva dos sintomas, particularmente da azia, poucos dias após o término dos medicamentos. Nesse momento, surge a questão do tratamento por tempo indeterminado ou do tratamento cirúrgico.
Vale dizer que o tratamento clínico combate muito bem os sintomas, mas não modifica a hérnia hiatal e poucas vezes muda o refluxo gastro-esofágico, propriamente dito.
COMO SE PREVINE?
Na prática clínica há a prevenção da recidiva dos sintomas, que se resume no seguimento das medidas ditas educativas instituídas quando do primeiro tratamento.

" Começou assim "

Era uma pessoa normal até os 21 anos... Normal ??? Obesa..rsrs
Em 2008 pesava 120 kg e já era mãe de um filho...comia sem remorso 3 MAC CHICKEN JUNIOR cada vez que ia ao shopping...
Nunca tive problemas em aceitar meu tipo físico...Era uma gordinha feliz!


No mês de junho comecei a sentir dificuldade para engolir inicialmente coisas mais sólidas, como pão e massas por exemplo. Achei que era por causa de rinite, então  fiz vários exames otorrinológicos, mas não descobria nada.
Nessa época, um dos médicos que me examinou disse que se tratava de “Anorexia Nervosa”, e que era pra eu “procurar comer coisas que me dessem prazer”.
Mas o fato é que 6 meses depois eu já havia emagrecido 40kg e não estava comendo as coisas que davam prazer e muito menos as que não davam. Já estava há 5 dias sem comer e nem mesmo beber água, quando joguei meus sintomas no Google, e assim descobri o que eu tinha. Parece engraçado não? Mas foi bem assim que aconteceu. Li tudo sobre a acalásia do cárdia, e fui tratar de fazer os exames para confirmar o diagnóstico.
Em janeiro de 2009, a endoscopia acusou o problema e o raio-x contrastado só veio pra mostrar que a coisa estava realmente feia pro meu lado.
Começou a maratona. Eu já sabia o que tinha, mas não tinha a mínima idéia de por onde começar a buscar tratamento, uma vez que eu estava sem convênio e o SUS é uma burocracia imensa.
O médico disse que eu precisava de uma dilatação com balão de ar. Achei no HC de São Paulo, porém tive de esperar 4 meses pelo procedimento. Enquanto o tempo passava eu emagrecia mais e mais, e em determinados dias achava que não chegaria viva ao tão esperado 31/03/09. Eu estava em contagem regressiva, pois acreditava cegamente que esse seria o fim do meu problema,  que voltaria a comer normalmente.
Chegou o tão esperado dia. Minha mãe me acompanhou. Antes que começassem as “atividades” perguntei se naquele mesmo dia eu poderia comer, e a resposta foi SIM!
Final do procedimento. Chegou o momento tão esperado…COMER !
Na estação de trem – caminho de volta para a casa, inventei de “testar o procedimento” e comprei rabinho de porco pra comer… Sabe rabinho de porco? Aquele salgadinho duro pra chuchu? Pois é, ele mesmo.
O resultado não podia ser pior. Entalei e não conseguia nem vomitar e nem engolir, minha mãe ficou desesperada, foi um sufoco. Naquele momento percebi que tinha algo muito errado comigo. Continuei na mesma, nem sopa pude comer naquele dia.



"A Primeira Porta"

Os dias foram passando e nada melhorava. Continuei minha busca por informações na internet. Lá descobri uma comunidade de pessoas que têm acalásia, e trocando experiências, conversas e afins, fiz uma coisa que NÃO RECOMENDO A NINGUÉM: Me auto-mediquei.
Comprei o remédio que uma amiga da comunidade tomava – Isordil. Ele é vasodilatador. Algumas pessoas se tratam com ele e se dão muito bem, eu achei que comigo também seria assim, mas minha atitude me colocou em risco.
Tomei um… e fui comer. Sabe o que aconteceu? Eu consegui comer!
Então, 2 horas depois eu tomei outro, e consegui comer novamente… 2 horas depois mais outro, e assim foi.
Pra resumir. A dose diária máxima são 3 comprimidos e eu não sabia. Acabei tomando 8 e fui parar no PS toda roxa com mãos e pés tortos… Horrível não?
Fica a lição pra quem lê: Por mais desesperado que você esteja para comer, NUNCA faça o que eu fiz, isso é perigosíssimo e pode não ter volta.
Pós Isordil, fiquei com tanto medo que joguei toda a cartela fora. Mas meu problema continuava. Sem o remédio continuava a ficar até 3 ou 4 dias sem nem beber água.
Em agosto de 2009, um colega da minha mãe, conseguiu pra mim uma consulta com um cirurgião no Hospital Vermelinho na Vila Maria. Lá vamos nós – eu e mamãe outra vez.
As 5:30 da manhã saímos de casa. O médico muito atencioso - Dr. Paulo, disse que meu caso era pra cirurgia URGENTE, mas naquele hospital, não tinha o aparelho necessário para me operar, então me encaminhou para o Hospital São Paulo, pra que minha cirurgia fosse feita lá. No mesmo dia fomos direto pro HSP. O sol estava fortíssimo e eu há 3 dias sem comer.
Chegamos ao HSP, e só pra tentar encontrar o local que fazia o agendamento, eu perdi as contas de quantas portas batemos e de quantos quarteirões andamos. No agendamento – quando finalmente consegui achar! – o rapaz disse que lá fazia cirurgia sim, porém o papel que o médico do Hosp. Vermelinho deu, não servia pra agendar nada lá.
Comecei a me irritar. Voltamos (no mesmo dia) pro Vermelhinho pra trocar o tal papel. Detalhe: o trajeto de um Hospital a outro levava por volta de 1h e 30m.
Trocamos o papel, voltamos pro HSP pra falar com o mesmo atendente, mas ele disse que seria necessária passar por uma avaliação com a equipe gástrica de lá, que demoraria mais ou menos 4 horas.
Tinha opção? Já estava lá mesmo. Literalmente, sentei e esperei.
Era meio dia.
O atendimento estava previsto para as 16h. Mas já era 18h e eu não havia sido atendida ainda, e acabei passando mal, o mais óbvio depois de 3 dias sem comer e uma maratona num sol escaldante.
Minha mãe pediu a enfermeira pra me amparar e sabe qual foi a resposta?
“Isso aqui é um hospital senhora, num tem só sua filha passando mal…”
Não me esqueço das lágrimas nos olhos da minha mãe aquele dia, e de como ela teve que engolir a seco aquele descaso. As pessoas que estavam perto de mim, ficaram revoltadas, foi muito difícil.
As 19:30 finalmente fui atendida por um médico residente, que mal sabia ver qual era o lado certo do raio-x. Com TODOS os meus exames na mão ele teve a “coragem” de dizer que eu não tinha NADA.
Acabou com a minhas esperanças. À meia noite, minha mãe e eu voltávamos pra casa, chorando pelo meio da rua sem saber o que fazer e a quem recorrer. Voltei à estaca zero.